O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) participou, no Auditório do Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília, do evento de lançamento do Solar Decathlon Brasil 2027 – Design Challenge | América Latina e Caribe e da apresentação oficial do Plano Edifica.
A cerimônia, realizada nesta quinta-feira (29.10), reuniu representantes do poder público, consultorias técnicas, lideranças acadêmicas e estudantes para marcar o início de uma estratégia integrada que une regulação, capacitação e inovação para acelerar a transição energética nas cidades brasileiras.
Na abertura institucional, a diretora executiva do CBCS, Clarice Degani, celebrou a convergência de duas agendas fundamentais para o futuro do ambiente construído. “Celebramos hoje dois marcos importantes: o avanço na estratégia brasileira de eficiência energética das edificações do governo federal, coordenada pelo MME, e a preparação de jovens profissionais que vão colocá-la em prática”, afirmou. Segundo ela, com o Plano Edifica, a eficiência energética ganha um plano de implementação com um horizonte claro. “E o CBCS tem orgulho de ter caminhado com todos vocês até aqui”, reforçou, citando iniciativas como a Plataforma DEO, Desempenho Energético Operacional dos Edifícios, e a integração do Sistema de Informação de Desempenho Ambiental da Construção (Sidac), com a etiquetagem do Procel Edifica. O Solar Decathlon vem coroar essa atuação. “Para o CBCS, é uma grande honra e uma enorme responsabilidade ter sido selecionado para a execução do Solar Decathlon Brasil 2027. O grande legado é ter essa nova formação preparada, discutindo eficiência energética e trazendo sustentabilidade para os projetos em todo o país”, afirmou Clarice.
Realizada de forma inédita no país, o Solar Decathlon Brasil 2027 é uma iniciativa do MME fruto de um Memorando de Entendimento assinado com o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE), criador do concurso em 2002, promovida pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), operacionalizada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) em parceria com o CBCS.
Representando o MME, o secretário-adjunto de Transição Energética e Planejamento, Guilherme Zanetti Rosa, destacou que a eficiência energética precisa gerar benefícios diretos e tangíveis para a população. “A transição energética precisa fazer parte da vida das pessoas. Isso passa pela casa onde moramos, pela escola dos nossos filhos e pelos edifícios onde trabalhamos”, enfatizou. “Nosso objetivo com o Solar Decathlon é difundir o conceito de energia quase zero (NZEB) e provar que alta eficiência, inovação e sustentabilidade são perfeitamente viáveis e essenciais para as novas edificações no Brasil, especialmente na habitação de interesse social e nos prédios públicos”, explicou.

Índices mínimos de eficiência energética
A nova regulamentação nacional estabelece, pela primeira vez no país, índices mínimos e progressivos de eficiência energética para novas edificações, cobrindo o horizonte de 2027 a 2040. A norma determina que novos edifícios públicos alcancem o nível “Classe A” do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE Edifica) a partir de 2027, evoluindo para o padrão de energia quase zero (NZEB) em 2035.
Para garantir a aplicação técnica e institucional dessas exigências em todo o país, o MME desenvolveu o Plano Edifica — uma estratégia dividida em cinco eixos estruturantes (capacitação, comunicação, incentivos e financiamento, infraestrutura de suporte e apoio aos entes federados) que servirá como guia operacional para a modernização da construção civil brasileira.
A convergência estratégica entre a nova regulamentação nacional e a competição universitária foi destacada por Alexandra Maciel, coordenadora de projetos de eficiência energética do Departamento de Informações, Estudos e Eficiência Energética do MME. “A realização conjunta do lançamento do Solar Decathlon e da apresentação do Plano Edifica reflete a perfeita sinergia entre as nossas ações. O concurso de projetos do Solar Decathlon é uma das iniciativas centrais e estruturantes do eixo de capacitação do Plano Edifica, que vai guiar a implementação dos índices mínimos de eficiência energética nas edificações brasileiras no horizonte de 2027 a 2040”, disse. Ela explicou que o Plano Edifica foi construído a muitas mãos, de forma transparente e participativa — envolvendo 48 instituições e cerca de 90 especialistas do governo, mercado e academia —, estabelecendo a rota para transformar o setor. “O setor público dará o exemplo a partir de 2027 com a exigência do nível ‘Classe A’ da etiqueta PBE Edifica, evoluindo a partir de 2035 para a exigência do conceito de energia quase zero (NZEB), que é a essência do desafio proposto aos nossos estudantes”, afirmou.

Inovação multidisciplinar
A superintendente de Gestão do Procel na ENBPar, Juliana Tadeu, relembrou a trajetória de quatro décadas do programa e destacou o caráter multidisciplinar da competição universitária. “A política pública só é efetiva quando combinada com boas regras, mecanismos confiáveis de avaliação e pessoas capacitadas”, explicou. “No Solar Decathlon, a eficiência energética deixa de ser uma disciplina isolada para se tornar um processo totalmente integrado. Aos estudantes, reforço: a transição energética não acontecerá apenas em normas ou compromissos internacionais; ela foi projetada para acontecer por meio de vocês. Aceitem esse desafio e nos ajudem a projetar as edificações do futuro”, reforçou.
A dimensão colaborativa das políticas públicas também foi destacada por Laísa Brianti, diretora do Departamento de Inteligência Energética da consultoria Mitsidi. “É uma satisfação ver o lançamento conjunto do Plano Edifica e do Solar Decathlon, ressaltando a construção coletiva que vem sendo realizada ao longo de anos com a participação de diversas instituições”, afirmou.
Desafio climático e formação de impacto
Durante a apresentação detalhada do concurso, os diretores do Solar Decathlon Brasil 2027 contextualizaram o impacto que a formação acadêmica terá na realidade urbana latino-americana. George Alves Soares, que foi coordenador de Eficiência Energética do Ministério de Minas e Energia, apontou para os dados de consumo e para o déficit habitacional da região. “Na América Latina e no Brasil, as edificações representam cerca de 50% do consumo de energia elétrica”, pontuou. “Diante da aceleração urbana e da vulnerabilidade climática, a formação dos futuros profissionais é primordial. No Solar Decathlon, mais importante do que o projeto final será o próprio processo de aprendizado e cooperação entre os alunos”, considerou.
O professor Roberto Lamberts, supervisor do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina (LaBEEE/UFSC) e conselheiro do CBCS, também diretor do concurso, explicou que a modalidade Design Challenge do Solar Decathlon permite envolver um número muito maior de estudantes e universidades. E destacou a importância da iniciativa. “Os jovens precisam aprender que não podemos projetar para o clima de hoje, mas sim para edificações que durarão 50 anos em um cenário climático completamente diferente. Tenho certeza de que quem passar por essa competição vai sair transformado”, complementou.
A apresentação do Solar Decathlon Brasil 2027 envolveu ainda a gerência técnica do concurso, formada por Joara Cronemberger, docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, que participou do Solar Decathlon 2007 em Madrid e da organização do Solar Decathlon Europe 2010, e a arquiteta Maria Andrea Triana, que participou no Solar Decathlon América Latina e Caribe em 2019, é pesquisadora no LabEEE/UFSC e conselheira do CBCS. Participaram, também, das apresentações as arquitetas Thalita Maciel, pesquisadora na área de eficiência energética no LabEEE/UFSC, e Luiza Peixoto, coordenadora na Ares Sustentabilidade, responsáveis pela coordenação das equipes; além da coordenação do júri, formada por Maíra Pires, docente na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, e José Ripper Kós, docente de arquitetura na UFSC e coordenador do Laboratório de Ecologia Urbana, que também participou do Solar Decathlon de América Latina em 2019 (SDLAC) e do Solar Decathlon Europe em 2012.
Ao encerrar a solenidade, o diretor de Informações, Estudos e Eficiência Energética do MME, Sérgio Ayrin Moraes, ressaltou o orgulho e o compromisso assumido pelo Brasil. “É uma honra para o país e para o continente sediar o Solar Decathlon Design Challenge”, declarou. “O mais importante começa agora: dar conta da execução e implementação de todo o conjunto de ações do Plano Edifica. Espero que os estudantes e profissionais de todo o ecossistema se inspirem e façam parte dessa transformação”, disse.
Como participar do Solar Decathlon Brasil 2027
O concurso desafiará equipes multidisciplinares (compostas por 5 a 15 estudantes de graduação e pós-graduação, orientados por professores) a desenvolverem soluções técnicas para três tipologias de projeto:
- Habitação Residencial Multifamiliar de Baixa Renda (HIS);
- Edificação Escolar Pública;
- Edifício de Atendimento à Comunidade / Institucional.
As propostas serão avaliadas em 10 provas integradas, abrangendo desde arquitetura, engenharia e desempenho energético até ciclo de vida dos materiais, gestão hídrica e resiliência climática.
As inscrições são gratuitas e abertas a universidades e escolas técnicas do Brasil, da América Latina e do Caribe, permitindo inclusive a formação de equipes interinstitucionais e internacionais.
👉 O pré-cadastro já está disponível no site oficial: solardecathlonbrasil.com.br.
Assista ao evento:








