Pela primeira vez, o Brasil será sede da edição regional da maior competição universitária do mundo voltada à inovação com foco em edificações de energia zero: o Solar Decathlon Brasil 2027 – Design Challenge | América Latina e Caribe.
A competição terá o formato Design Challenge (concurso de projeto), modalidade que desafia equipes multidisciplinares — compostas por alunos de graduação e pós-graduação em arquitetura, engenharias e outras áreas, sob a supervisão de seus professores — a desenvolver projetos inovadores de edificações de alto desempenho, resilientes ao clima e que impactem positivamente as cidades e as pessoas que nelas vivem, nas tipologias residencial multifamiliar de interesse social, escolas públicas e edificações institucionais.
O lançamento oficial será no dia 29 de outubro de 2026, a partir das 14h30, no Auditório Térreo do Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília (DF), com a abertura das inscrições e divulgação do cronograma do concurso. Na ocasião será também lançado o Plano Edifica para implementação de índices mínimos de eficiência energética para as novas edificações no Brasil. O evento será transmitido ao vivo pelo canal do MME no YouTube.
Esta é uma iniciativa do Ministério de Minas e Energia (MME) a partir de projeto aprovado no âmbito do Plano Anual de Aplicação de Recursos do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), que conta com o apoio da ENBPar. E resulta do memorando de entendimento estabelecido entre o MME e o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE), que criou o concurso em 2002, para adoção da metodologia no País. O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) foi contratado para atuar como entidade executora da iniciativa.

Conceito NZEB
As edificações planejadas deverão estar enquadradas no conceito NZEB (Near Zero Energy Building – Edificações de Energia Quase Zero) ou em Edificações de Energia Positiva (EEP), que combina alta eficiência energética e inovação com geração de energia de fonte solar. Os universitários participantes serão “decatletas” e deverão demonstrar a excelência de suas concepções em dez provas relacionadas a temas como arquitetura, engenharia, resiliência às mudanças climáticas, entre outros.A competição oferece, ainda, a capacitação dos participantes, com a realização de webinars temáticos e cursos on-line durante a etapa de desenvolvimento dos projetos. As equipes finalistas defenderão seus projetos num evento final presencial previsto para outubro de 2027.
O Solar Decathlon funciona como um laboratório de soluções para o futuro da construção. “O mais inspirador no Solar Decathlon é imaginar o impacto que essa experiência terá na trajetória de cada estudante. Ao trabalhar de forma multidisciplinar e enfrentar desafios reais, eles não apenas aprendem a desenvolver soluções mais sustentáveis, mas vivenciam uma nova maneira de pensar, projetar e construir. Acredito que essa geração levará para sua futura atuação profissional uma cultura de inovação, colaboração e responsabilidade capaz de transformar nossas cidades e nossa relação com o planeta”, afirma o engenheiro George Alves Soares, um dos diretores da competição.
O Solar Decathlon Brasil 2027 – Design Challenge | América Latina e Caribe objetiva também conectar os trabalhos universitários aos instrumentos nacionais de eficiência energética, em especial, a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) do PBE Edifica, que classifica edificações conforme a sua eficiência energética variando de “A” (mais eficiente) a “E” (menos eficiente).
“O Solar Decathlon Brasil é muito importante para inspirar estudantes de arquitetura no projeto de edificações de alta eficiência energética. A forma de medir a eficiência dos projetos no Brasil será a etiquetagem de nível de eficiência energética de edificações do PBE Edifica. Estes projetos devem ter, além de alta eficiência, geração de energia solar incorporada na envolvente das edificações, transformando-as em edificações de energia quase zero ou até de energia positiva. Isso significa capacitar os estudantes a projetar as edificações do futuro”, complementa o engenheiro e professor Roberto Lamberts, também diretor da competição.
A ENCE é o instrumento de avaliação da conformidade estabelecido no Plano de Implementação de Índices Mínimos de Eficiência Energética de Edificações conhecidos como MEPS (Minimum Energy Performance Standards). A partir de 2027, prédios de órgãos públicos deverão alcançar o desempenho “nível A” da ENCE, de acordo com o Comitê Gestor de Índices e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Para as esferas estaduais, distritais e municipais, os edifícios públicos deverão atingir a classificação “A” de forma progressiva até 2040, chegando a ser edificações NZEB.
Solar Decathlon: capacitação e experimentação
Criado em 2002 pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE), o Solar Decathlon é uma competição realizada em diversos países e terá, em 2027, sua primeira edição sediada no Brasil, como resultado do memorando de entendimento firmado entre o Ministério de Minas e Energia e o DoE. O nome “Decathlon” faz referência às 10 provas (quesitos) que compõem a avaliação das propostas, expressão originada dos termos gregos “deka” (dez) e “athlon” (competição ou combate).
Nas primeiras edições, as equipes de “decatletas”, como são conhecidos os estudantes que as integram, projetavam e construíam as casas para serem exibidas e terem seu desempenho medido por um período como parte da competição. Desde 2014, foi introduzida a modalidade Design Challenge (concurso de projeto), voltado exclusivamente ao projeto conceitual, sem a necessidade de construção física da edificação. É esta modalidade que será adotada no Solar Decathlon a ser realizado no Brasil em 2027.
A iniciativa aproxima universidades, indústria, profissionais e mercado, permitindo testar soluções que podem posteriormente ser incorporadas à construção convencional. “O Solar Decathlon é uma experiência única para os estudantes. Está pensado para proporcionar condições que aproximem a teoria com a prática, resolvendo desafios reais, pensando no projeto de forma integrada e respondendo às necessidades atuais. O concurso forma uma grande rede de apoio, proporcionando e incentivando o contato com diferentes especialistas e a indústria. Além disso, queremos incentivar a participação entre universidades do mesmo país e de diferentes países, de forma a ampliar-se a colaboração e o intercâmbio. Tivemos essa experiência quando participamos no Solar Decathlon América Latina e Caribe realizado em 2019 na Colômbia e foi ótima para os alunos e professores de ambos países e universidades”, afirma a arquiteta Maria Andrea Triana, gerente técnica do projeto.
No Solar Decathlon, a interdisciplinaridade transforma diferentes conhecimentos em soluções integradas, inovadoras e sustentáveis, preparando os participantes para enfrentar os desafios reais do ambiente construído. “Nas minhas participações no Solar Decathlon, observei como a constituição de equipes multidisciplinares constitui-se num motor pedagógico fundamental da competição, já que nenhuma disciplina isolada responde à complexa integração entre projeto passivo, desempenho energético e viabilidade construtiva exigida nas dez provas. Os projetos com as mais altas qualidades arquitetônicas, tecnicamente eficientes e economicamente viáveis resultavam sempre da estreita colaboração entre estudantes de graduação e pós-graduação de arquitetura, engenharias, comunicação, finanças e outras áreas”, reforça a arquiteta Joára Cronemberger, também gerente técnica do Solar Decathlon Brasil 2027.
Etapas e cronograma
O período de inscrições para o Solar Decathlon Brasil 2027 – Design Challenge | América Latina e Caribe será iniciado no dia 29 de outubro de 2026, data do lançamento oficial da competição, e se estenderá até 30 de março de 2027. A expectativa é de participação de equipes formadas por estudantes de universidades brasileiras e internacionais, de forma individual ou mistas, com foco na América Latina e Caribe.
Durante a etapa de desenvolvimento dos projetos, as equipes participarão de seminários on-line de capacitação sobre os diversos temas que envolvem o planejamento de uma edificação de alto desempenho enquadradas no conceito NZEB, incluindo metodologias da etiquetagem brasileira (PBE Edifica) e avaliação do ciclo de vida de edificações de baixo carbono, resiliência climática, entre outras.
Os projetos serão analisados por um júri especializado, que selecionará equipes para a etapa final. Esses projetos finalistas serão defendidos pelas equipes e apresentados para o júri na cerimônia de premiação de forma presencial. Na mesma ocasião serão anunciados os vencedores em cada uma das três tipologias.
O Brasil na competição
O Brasil possui um histórico relevante no Solar Decathlon, acumulando duas participações marcantes. Na edição 2012, em Madri (Espanha), a estreia brasileira na competição ocorreu com o projeto Ekó House, desenvolvido por uma equipe integrada por estudantes e professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade de São Paulo (USP). Na ocasião, o projeto obteve o terceiro lugar na prova de sustentabilidade.
Em 2019, na edição América Latina e Caribe (SDLAC), realizada em Cali (Colômbia), o Brasil integrou a equipe campeã, vencendo a competição com o projeto Casa Minga, voltado à habitação de interesse social sustentável. O projeto foi fruto de uma cooperação internacional entre a Pontificia Universidad Javeriana de Cali, a UFSC e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).
A partir do memorando de entendimento entre o MME e o DoE/EUA para adoção da metodologia no Brasil, o Solar Decathlon Brasil 2027 – Design Challenge | América Latina e Caribe será realizado no País, executado pelo CBCS. “Esta é uma importante oportunidade para o CBCS se aproximar dos jovens estudantes e disseminar os conceitos de eficiência energética das edificações, dando escala de aprendizagem por meio da experimentação. Além disso, será fundamental para salientarmos o papel da etiquetagem na melhoria do desempenho do ambiente construído e na transição energética do setor da construção para toda a sociedade”, afirma Clarice Degani, diretora executiva do CBCS.
Time Solar Decathlon Brasil
A organização do Solar Decathlon Brasil 2027 estará a cargo de um time especial de professores, doutores, especialistas, muitos deles integrantes das equipes brasileiras que já participaram da competição internacional.
Os Diretores do Concurso são Roberto Lamberts, supervisor do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE/UFSC) e George Alves Soares, que coordenou a implantação do Procel Edifica e foi coordenador do GT-Edificações do MME
Na Gerência Técnica estão as arquitetas Maria Andrea Triana, que integrou a coordenação da equipe brasileira na sua participação no projeto ganhador do Solar Decathlon América Latina e Caribe (SDLAC) em 2019, e Joára Cronemberger, que integrou a equipe UPM Madri no Solar Decathlon 2007 e participou na organização do Solar Decathlon Europe, em 2010.
Na Coordenação de Equipes estão as arquitetas Thalita Maciel, especialista em eficiência energética e pesquisadora do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE/UFSC), com atuação em projetos relacionados ao Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações (PBE Edifica), e Luiza Barrio Peixoto, especialista em eficiência energética e coordenadora na Ares Sustentabilidade.
Na Coordenação de Júri, estão os arquitetos José Ripper Kós, professor da UFSC e um dos coordenadores da equipe colombiana/brasileira vencedora do SDLAC 2019 e da equipe brasileira no Solar Decathlon Europa (2012), e Maíra Oliveira Pires, professora na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI, Santo Ângelo) e pesquisadora vinculada ao grupo Life Cycle and Innovation for the Built Environment Sustainability (LIfE).
DIREÇÃO
GEORGE ALVES SOARES
Mestre pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), Doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e MBA Executivo pela COPPEAD/UFRJ. Executivo com 40 anos de atuação no setor elétrico. Foi Gerente do Procel na ENBPar. Foi coordenador de Eficiência Energética do Ministério de Minas e Energia (MME) e do GT-Edificações. Implantou programas nacionais como Procel Indústria, Edifica, Prédios Públicos, Sanear, Gestão Energética Municipal e Reluz. Implantou as áreas corporativas e de novos negócios em Eficiência Energética da Eletrobras. Fundou e foi presidente do Comitê Executivo da Rede Latinoamericana e do Caribe de Eficiência Energética.

ROBERTO LAMBERTS
Engenheiro civil com mestrado pela UFRGS, com doutorado em Civil Enginering – University of Leeds (1988). Professor titular da UFSC e supervisor do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE/UFSC). Responsável junto ao LabEEE pelo desenvolvimento da metodologia de Etiquetagem de Energia de Edificações do PBE Edifica, da metodologia para avaliação de desempenho térmico da NBR 15575 e do zoneamento bioclimático brasileiro. Atua na área de engenharia civil, com ênfase em eficiência energética, desempenho térmico de edificações, bioclimatologia e conforto térmico . É membro das associações científicas ANTAC e IBPSA (Associação Internacional para a Simulação do Desempenho de Edificações) e membro do GT de Edificações do Ministério de Minas e Energia (MME). Curador e conselheiro do CBCS.
GERÊNCIA TÉCNICA

JOÁRA CRONEMBERGER
Arquiteta e urbanista (Universidade de Brasília-UnB), Mestre e Doutora em Arquitetura (Universidade Politécnica de Madrid-UPM, Espanha). Docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB desde 2016, desenvolve pesquisas com ênfase em edifícios de balanço energético nulo, integração de energias renováveis e sustentabilidade no ambiente construído. Integrou a Equipe UPM Madrid na competição internacional universitária Solar Decathlon 2007 (EEUU, 2007) e participou na organização do Solar Decathlon Europe (Espanha, 2010).

MARIA ANDREA TRIANA
Arquiteta e urbanista (UFSC/BR e Universidad del Valle/Colômbia), Mestre em Arquitetura e Doutora em Engenharia Civil (UFSC), com período na Oxford Brookes University. Pesquisadora junto ao LabEEE/UFSC nas áreas de sustentabilidade, eficiência energética e ciclo de vida das edificações, participa do projeto Hab.LabEEE para inovação em habitações de interesse social. Integrou a coordenação brasileira do projeto MINGA, vencedor no Solar Decathlon Latino América e Caribe em 2019. Coordenou o Programa Cidades Eficientes do CBCS. Sócia da DUX Arquitetura e Engenharia Bioclimática, atua em consultoria e projetos bioclimáticos. Conselheira do CBCS e coordenadora do grupo de sustentabilidade da regional Santa Catarina da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-SC)
GESTÃO INSTITUCIONAL

CLARICE DEGANI
Engenheira civil, Mestre e Doutora em Tecnologia e Gestão da Produção pela Escola Politécnica da USP, é especialista em Gestão de empreendimentos de construção civil pelo PECE/USP. Participou da equipe técnica para experimentação da certificação ambiental francesa NF Bâtiments Tertiaires Démarche HQE pelo CSTB na França. Desde 2008, é consultora para desempenho e sustentabilidade. É curadora, conselheira e diretora executiva do CBCS.
COORDENAÇÃO DE EQUIPES

LUIZA BARRIO PEIXOTO
Arquiteta e urbanista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutoranda e mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável (UFMG), especialista em Gestão Sustentável e Meio Ambiente pela PUC-PR. Atua desde 2018 na Ares Sustentabilidade, exercendo atualmente o cargo de coordenadora, liderando equipes e gerenciando projetos voltados, principalmente, à aplicação da norma NBR 15575.

THALITA MACIEL
Arquiteta e urbanista pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mestre em Arquitetura, com ênfase em Conforto e Sustentabilidade do Ambiente Construído (UFPel). Doutoranda em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisadora no LabEEE/UFSC. Desde 2015, atua em pesquisas, consultorias e projetos de âmbito nacional voltados à eficiência energética, à redução de emissões e à construção de baixo carbono.
COORDENAÇÃO DE JÚRI

JOSÉ RIPPER KÓS
Professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC e coordenador do Laboratório de Ecologia Urbana, possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela UFRJ, mestrado pela Tulane University (EUA), PhD pela University of Strathclyde (Reino Unido) e Pós-Doutorado no Sustainable Building Research Centre, University of Wollongong, (Austrália). Foi um dos coordenadores da equipe colombiana/brasileira, vencedora do Solar Decathlon América Latina e Caribe (2019) e da equipe brasileira no Solar Decathlon Europa (2012).

MAÍRA OLIVEIRA PIRES
Arquiteta e Urbanista, Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC. Doutoranda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pesquisadora vinculada ao grupo Life Cicle and Innovation for the Built Environment Sustainability (LIfE) e doutoranda na Universitat Politècnica de Catalunya (UPC). Desenvolve pesquisa sobre avaliação do ciclo de vida em ações de retrofit energético. Atua como docente na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI, Santo Ângelo).



