Plataforma BIPc lançada pela Caixa adota base de dados do Sidac para medir carbono incorporado pelos projetos nas edificações

Estimar o consumo de materiais e a pegada de CO₂ embutido nas edificações de forma prática é o que proporciona a Plataforma BIPc – Benchmark Iterativo para Projetos de baixo carbono, desenvolvida e recém-lançada pela Caixa em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). Projetistas e construtoras podem comparar o desempenho estimado de seu projeto com o de outros já executados a partir da integração do projeto à ferramenta de cálculo, compatível com a metodologia BIM, obtendo estimativas instantâneas sobre o impacto ambiental de cada decisão. 

“A estrutura dos edifícios representa mais de 50% do CO₂ incorporado nas edificações. No caso de paredes estruturais, chega a mais de 80%”, exemplifica Vanderley John, professor da USP e coordenador da Plataforma BIPc. Ele destaca que materiais como cimento, o aço e vidro carregam consigo uma pegada de carbono significativa para o canteiro de obras, pois já emitiram carbono durante a sua produção. Para além da medição, a plataforma estabelece o benchmark, criando uma referência comparativa nacional sobre o carbono incorporado nas edificações, transformando dados em indicadores de desempenho.

Desta forma, na interpretação dos seus projetos na plataforma, projetistas e construtoras conseguem entender se a edificação está acima da média (alto impacto), na média (estado atual do setor) ou abaixo da média (baixo carbono) e entender as possíveis estratégias para mitigação. Ele explica que a ideia do benchmark do uso de recursos foi desenvolvida pelo engenheiro Jorge Batlouni Neto durante mestrado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e foi aplicada pela empresa França e Associados, do professor da USP Ricardo França, há mais de 10 anos. “Começamos a incluir a questão do carbono há dois anos, quando o professor França retornou à Escola Politécnica da USP como professor sênior, titular da Cátedra Construindo o Amanhã da ArcelorMittal”, explica Vanderley John.

A base de dados utilizada é a do Sidac – Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção – plataforma on-line, de acesso público e gratuito que reúne informações sobre o desempenho ambiental dos produtos de construção fabricados no Brasil. Curador, conselheiro e diretor do CBCS, Vanderley John é coordenador técnico e um dos idealizadores do Sidac, que possibilita calcular indicadores ambientais — do berço ao portão da fábrica — com base em dados brasileiros e nos conceitos da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), permitindo a redução do carbono e da energia incorporados nas edificações. O Sidac pertence ao Ministério de Minas e Energia (MME) e é operado pelo CBCS com recursos do PAR-Procel, por meio de convênio firmado com a ENBPar. “O lançamento da BIPc pela Caixa reforça ainda mais a importância do Sidac como o banco de dados nacional do desempenho ambiental dos produtos de construção”, afirma Clarice Degani, diretora executiva do CBCS e membro do Comitê Consultivo da plataforma BIPc. 

O lançamento da Plataforma BIPc ocorreu no dia 3 de novembro durante o evento Habitação de Baixo Carbono: Experiências Globais e Soluções Locais, promovido pela Caixa como evento preparatório do Brasil para a COP30, realizada de 10 a 21 de novembro em Belém (PA). Realizado em São Paulo, o evento reuniu líderes institucionais, especialistas da Áustria e da França, representantes dos setores público e privado e da academia, que discutiram soluções inovadoras para habitação de baixo carbono e sustentabilidade urbana. O professor Vanderley John foi um dos palestrantes. A equipe operacional do Sidac e representantes e conselheiros do CBCS também acompanharam a programação.


Acesse e saiba mais:

Plataforma BIPchttps://bipc.org.br

Sidac – https://sidac.org.br/

 

Prof. Vanderley John (à direita) e o Prof. Lucas Melchiori Pereira (FAU USP) no lançamento da Plataforma BIPc